terça-feira, 3 de julho de 2012

Noçoes Basicas de Socorrismo.

Ficam aqui mais algumas noçoes para além daquelas que eu referi na minha mini Formaçao de Socorrismo.


1 – ENQUADRAMENTO DO CURSO



Acidentes acontecem a todo o instante, por conseguinte, estamos expostos continuamente a inúmeras situações de perigo que poderiam ser evitadas ou pelo menos minimizadas se, no momento do acidente, a primeira pessoa a ter contacto com a vítima possuísse alguns conhecimentos de primeiros socorros. Muitas vezes, esse socorro torna-se decisivo para o futuro e a sobrevivência da vítima.

É fundamental saber que, em situações de emergência, se deve manter a calma.Além disso, é importante que o socorrista se certifique que existem condições de segurança para a prestação do socorro e que um socorro mal executado pode comprometer ainda mais a saúde da vítima.

Enquanto chega a ajuda diferenciada, a sua correcta actuação pode contribuir, em muito, para salvar a vida dessa vítima.
1 – Sistema Integrado de Emergência Médica
O Sistema Integrado de Emergência Médica define-se como o conjunto de meios e acções extra-hospitalares, hospitalares e inter-hospitalares, com a intervenção activa dos vários componentes de uma comunidade - portanto pluridisciplinar - programados de modo a possibilitar uma intervenção rápida, eficaz e com economia de meios, em situações de doença súbita, acidentes e catástrofes, nas quais a demora de medidas adequadas, diagnóstico e terapêutica, podem acarretar graves riscos ou prejuízo ao doente (INEM, 2010).
Nas situações de doença súbita e acidente, os cuidados imediatos podem ser garantidos por qualquer pessoa com formação em Socorrismo. A vítima, para além do 1° socorro, necessita que alguém accione uma ambulância, com tripulação habilitada, a efectuar acções complementares às medidas iniciais de socorro, garantindo o transporte para uma unidade hospitalar. Esta equipa deve promover as acções adequadas e necessárias ao diagnóstico, terapêutica e tratamento definitivo do doente, sem os quais este pode sofrer grande risco ou prejuízo.
1.    Detecção/Protecção - Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais vítimas de doença súbita ou acidente e desenvolve acções para evitar que uma situação de emergência se agrave.
2.    Alerta - É a fase em que se contactam os meios de socorro, utilizando normalmente o Número Nacional de Socorro (112) ou os avisadores de estrada.
3.    Pré-socorro - São um conjunto de gestos simples que podem ser efectuados até a chegada do socorro.
4.    Socorro - corresponde ao tratamento inicial efectuado às vítimas de doença súbita ou acidente, com o objectivo de salvar a vida, diminuir a incapacidade e diminuir o sofrimento.
5.    Transporte - O transporte de emergência realiza-se desde o local da ocorrência até a entrada no serviço de saúde adequado, garantindo à vítima durante o transporte, o socorro adequado.
6.    Transferência e Tratamento Definitivo – Tratamento na unidade de saúde mais adequada à situação.


Do ponto de vista funcional a necessidade de existir um SIEM operacional tem os seguintes objectivos estratégicos:
a.    Chegada rápida ao local da ocorrência;
b.    Estabilização da vítima ou doente no próprio local;
c.    Transporte adequado do sinistrado ou doente;
d.    Tratamento adequado a nível hospitalar, estando prevista a possibilidade de transferência para um hospital mais diferenciado que garanta os cuidados definitivos.

O SIEM conta com todos os seus intervenientes, em maior ou menor escala, mas todos com responsabilidade no seu eficaz funcionamento. São eles:
·         Público em geral;
·         Agentes da PSP/GNR;
·         Bombeiros;
·         Cruz Vermelha Portuguesa;
·         Tripulantes de ambulância;
·         Operadores das centrais de emergência;
·         Médicos e enfermeiros, quer em trabalho pré-hospitalar quer hospitalar;
·         Pessoal técnico e auxiliares de acção médica dos hospitais;
·         Pessoal técnico na área das telecomunicações e informática;
·         Para além destes intervenientes humanos, há a considerar os meios de telecomunicação (ex.: rádios, computadores), os materiais de socorro (ex.: material de reanimação) e os meios de transporte (ex.: ambulâncias, viaturas de intervenção).

2 – Socorrismo

Ter formação em Primeiros Socorros é saber aplicar um conjunto de conhecimentos que permitam, perante uma situação de acidente ou doença súbita, estabelecer prioridades e desenvolver acções adequadas com o fim de estabilizar ou, se possível, melhorar a situação da(s) vítima(s).
O Socorrista deve aplicar correctamente todos os seus conhecimentos de modo a preparar e facilitar a continuidade das suas acções por outros técnicos especializados. Deve também ser: bom observador; actuar rapidamente; ser perseverante; saber improvisar; “ter sangue frio”; e saber incutir confiança. O socorrista também deve: afastar os curiosos, utilizar equipamento de protecção individual, tal como, luvas, etc., se for fácil e seguro, desligar as máquinas, pegar no extintor e deixá-lo, pronto para uso, a uma distância segura do local de risco.
Deve efectuar a chamada para o 112 e pedir ajuda adequada à situação e informar calmamente o número de contacto, o local exacto com pontos de referência, o número aproximado de vítimas e o seu estado, e o que já foi feito. Só desligar a chamada após indicação do CODU.

§  Acidente é um acontecimento repentino e imprevisto, tem efeitos limitados no tempo e no espaço e é susceptível de atingir pessoas, bens e ambiente.
§  Doença Súbita é a alteração involuntária do estado de saúde, causada por uma condição médica pré-existente e nunca por acidente, que exija a prestação de primeiros socorros e tratamento de urgência em Hospital.


3 – Exame à Vítima
Antes de fazer o que quer que seja, o Socorrista deverá inteirar-se da situação ocorrida e fazer uma hipótese de diagnóstico do estado da vítima. Para tal, deve proceder ao chamado Exame Geral da Vítima. Este serve para: identificar e corrigir situações que coloquem a vítima em perigo imediato de vida; identificar e corrigir situações que não representando perigo de vida podem agravar a situação geral se não forem corrigidas; e avaliar e registar os Sinais Vitais.
O exame geral divide-se em duas partes:
          • Exame Primário
          • Exame secundário
 

       
No exame primário é fundamental:
§  Garantir as condições de segurança da vítima e da equipa de socorro.
§  Não avançar no exame da vítima sem ter corrigido a situação anteriormente identificada.
§  Que qualquer actuação incorrecta pode significar sequelas permanentes ou mesmo a morte.
§  Iniciar o exame primário com a verificação do estado de consciência: perguntando se “está a ouvir” e abanando levemente a vítima ao nível dos ombros.
§  Um doente inconsciente corre perigo de vida pois pode facilmente ficar com a via aérea obstruída, devido à queda da própria língua ou pelo acumular de secreções, vómito, sangue ou mesmo por existirem corpos estranhos.

Os 5 passos do exame primário são:
A - AIRWAY (Permeabilização da Via Aérea com Protecção Cervical)
ü  Ao abordar a vítima de trauma deverá ser imediatamente estabilizada a coluna cervical, que nunca deve ser abandonada.
ü  Abrir a boca pesquisando sinais de obstrução, remover próteses, comida e objectos se existirem.
ü  Permeabilizar as vias aéreas.
B - BREATHING (Ventilação e Respiração)
§  Durante 10 segundos:
ü  Ver – movimentos do tórax e abdómen;
ü  Ouvir – ar a entrar e sair das vias aéreas;
ü  Sentir - ar expirado da vítima.

C - CIRCULATION (Circulação, Hemorragias Externas Graves e Choque)
ü  Controlar imediatamente Hemorragias Externas Graves;
ü  Pesquisa de Sinais e Sintomas de choque;
ü  Vigilância Apertada.


4 – Posição Lateral de Segurança (PLS)

As vítimas inconscientes apresentam na sua maioria uma situação de obstrução da via aérea, devido ao relaxamento dos músculos da mandíbula e da língua, assim, a tomada de medidas que visem permitir, que o fluxo de ar passe normalmente, deverá ser feita de imediato.

 Esta técnica NÃO se aplica em vítimas de trauma, devido à possibilidade de lesão vertebro-medular:

1 – Posicionar o membro superior do lado em que o socorrista se encontra na posição de flexão alinhado com a cabeça da vítima.




2 – Colocar o dorso da mão da vítima do lado oposto encostada à face, devendo o socorrista segura-la nesta posição.




3 – Mantendo o dorso da mão da vítima encostado à sua face, flectir o membro inferior do lado oposto em que o socorrista se encontra.

4 – Manter fixas ambas as mãos (uma no ombro e outra na anca) e rodar a vítima para o lado em que o socorrista se encontra.

5 – Após a vítima se encontrar lateralizada, corrigir o posicionamento da cabeça, de forma a melhorar a permeabilização da via aérea.

6 – Flectir o membro inferior para que o corpo da vítima se mantenha lateralizada.

7 – Vítima posicionada


5 – Avaliação de sinais vitais
São os principais indicadores das funções vitais a ventilação, o pulso, a pressão arterial e a temperatura.

Para se caracterizar a ventilação é necessário proceder à observação da vítima e contabilizar o número de ciclos ventilatórios ( conjunto de uma inspiração e uma expiração) durante um minuto (frequência), observar a expansão torácica(normal, superficial ou  profunda) e o ritmo ( regular ou irregular).

Os valores considerados normais para um adulto em repouso são: 12 a 20 ciclos por minuto.
A avaliação do pulso é efectuada através da palpação da artéria carótida ou artéria radial.
                       
Os valores considerados normais para um adulto em repouso são: 60 a 100 batimentos por minuto.

Para a avaliação da temperatura o socorrista serve de referência, bastando encostar as costas da mão à testa ou ao corpo da vítima. A vítima pode estar com a temperatura muito baixa (hipotermia), normal ou muito alta (hipertermia). Na pele pode também observar-se a  humidade e a coloração.


6 – Disfunção neurológica e exposição

D - DESABILITY (Disfunção Neurológica)
ü  Estado de Consciência:
§  A – Alerta
§  V - Responde a Estímulos Verbais
      • P - Responde a Estímulos Dolorosos
      • U - Sem Resposta
ü   Lateralização da Resposta Motora
ü 
 Pupilas
Contraídas
Assimétricas
Dilatadas
 



E - EXPOSE (Exposição com controle da temperatura)
Nunca despir, mas sim cortar as roupas se necessário, manter o respeito pela privacidade e decoro (compostura), e manter a temperatura corporal.

A observação do doente é efectuada através da observação sistematizada da cabeça e face, pescoço, ombro e clavícula, tórax e abdómen, coluna dorsal e lombar, pélvis, membros Inferiores e membros superiores.
Deve verificar através da palpação e observação: feridas, fracturas, outros traumatismos; reacção a estímulos, capacidade de movimento; pontos de deformação e/ou dor.

7 – Suporte Básico de Vida

O Suporte Básico de Vida define-se como o conjunto de medidas utilizadas para restabelecer a vida de uma vítima em paragem cardiorrespiratória, a iniciar de imediato sem recurso a qualquer equipamento excepto o de protecção individual. O objectivo é recuperar vítimas de paragem cardiorrespiratória
.
A Cadeia de Sobrevivência é composta por quatro elos, ou acções, em que o funcionamento adequado de cada elo e a articulação eficaz ente os vários elos é vital para que o resultado final seja uma vida salva.
Acesso precoce ao sistema
Início precoce de Suporte Básico de Vida
Desfibrilhação precoce
Suporte Avançado de Vida precoce
Numa situação de PCR o socorrista deve obter uma impressão geral do cenário e avaliar as condições de segurança e avaliar o estado de consciência da vítima, chamando-a e abanando-a suavemente nos ombros.
Se estiver consciente continuar exame e se necessário colocar em PLS. Se estiver inconsciente deve-se pedir ajuda.
             
A – Via Aérea
§  Avaliar Permeabilidade das vias aéreas e remover a causa da obstrução.
§  Efectuar a extensão da cabeça.

B – Ventilação
§  Desapertar roupa e expor o tórax.
§  Verificar se respira – Ver, Ouvir e Sentir (VOS) – durante 10 segundos.
    • Se Respirar colocar em PLS.
    • Se não respirar está identificada a PCR.
    • Pedir ajuda diferenciada (ligar 112): se estiver sozinho vá; se estiver acompanhado peça para ir.

C – Circulação
§  Inicie 30 compressões no centro do tórax, alternando com 2 insuflações ( cada insuflação) com duração de 1 segundo.
§  Manter SBV até: chegar ajuda diferenciada; a vítima inicie respiração normal; ou o reanimador ficar exausto.
2
30
         



8 – Obstrução da Via Aérea
O que é?
Dificuldade respiratória, ou impossibilidade de respirar causada por obstrução das vias aéreas, geralmente por corpo estranho.
A obstrução pode ser parcial ou total.

Na obstrução parcial deve-se:
Estimular a tosse até resolver a obstrução.
Na obstrução total em vítimas conscientes, com mais de um ano de idade:
Deve-se iniciar por cinco pancadas interescapulares e se não resultar passar para cinco compressões na linha média do abdómen entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical, de baixo para cima e da frente para trás. Ter em atenção que deve adequar a força à idade e tamanho da vítima.
Em vítimas obesas e grávidas substituir as compressões abdominais por compressões torácicas.









Em vítimas inconscientes, com mais de um ano de idade:
Iniciar o socorro por verificar a cavidade oral, tentar ventilar 5 vezes e iniciar manobras de SBV com o cuidado de verificar a cavidade oral no final de cada 30 compressões.

Em crianças com menos de um ano de idade:
A criança deve ser colocada de barriga para baixo sobre mão e antebraço de quem executa a manobra, com a cabeça mais baixa que o tórax, se necessário até 5 pancadas nas costas, entre as omoplatas. Se não resolver, virar a criança de barriga para cima e sobre a mão e antebraço de quem executa a manobra, com a cabeça mais baixa que o tórax efectuar 5 compressões torácicas.
Remover algum objecto se for visível.

 Nas crianças com menos de 1 ano não se efectuam compressões abdominais.


9 – Hemorragias
As hemorragias são percas de sangue dos vasos sanguíneos (artérias, veias ou capilares). Uma hemorragia grave necessita de socorro imediato, pois pode rapidamente levar à morte.
Quanto à localização as hemorragias podem ser internas (visíveis ou invisíveis) ou externas e quanto à origem podem ser arteriais, venosas ou capilares.

Sinais e Sintomas:
Saída evidente de sangue, ventilação rápida e superficial, e difícil, pulso rápido e fino e hipotensão. Pele pálida e suada, por vezes cianosada, dor local ou irradiante, sede, zumbidos e dificuldade de visão, pupilas progressivamente dilatadas, ansiedade e agitação.





Estancar a hemorragia ou, se isto não for possível, limitar ao máximo a saída de sangue através de:

o   Compressão manual directa:
ü  Aplicar sobre a ferida que sangra uma compressa esterilizada ou um penso improvisado, comprimindo a zona com a mão.
ü  Se o penso repassar, nunca deve ser retirado, coloca-se outro por cima e faz-se compressão manual mais forte.

o   Compressão manual indirecta:
ü  Consiste em comprimir o vaso sanguíneo (artéria) responsável pela irrigação da zona ferida que sangra.
ü  Umeral – hemorragia membro superior.
ü  Femoral – hemorragia membro inferior.

o   Garrote
ü  Utilizado em último recurso.
ü  Só quando os outros métodos falham.
ü  Método mais utilizado em situações de amputação.

Outras medidas que pode associar às anteriores:
Elevação do membro, aplicação de frio (gelo), desapertar roupas no pescoço, tórax e abdómen, animar e moralizar a vítima, se consciente - posição confortável, se inconsciente – PLS, manter temperatura corporal, não dar nada a beber, e promover transporte para hospital.


10 – Choque Hipovolémico
A este acontecimento dá-se o nome de hipovolémia ou seja a diminuição de líquidos circulantes no organismo que causa uma diminuição na capacidade fisiológica do coração e uma insuficiente perfusão dos tecidos.
Este processo leva a alterações do sistema nervoso central.
Sinais e sintomas:
Alterações do estado de consciência, dificuldade respiratória, pulso rápido e fino, pressão arterial baixa, pele pálida, suada, fria e pode aparecer cianose, náuseas e vómitos, sede e secura das mucosas e alterações pupilares

Actuação:
Combater a causa, manter as vias aéreas permeáveis. Posicionar a vítima se possível, a posição ideal será com elevação dos membros inferiores a cerca de 30º. Manter a temperatura corporal e não dar nada a beber.
Avaliar e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.


11 – Dificuldade respiratória
A dificuldade respiratória, normalmente definida como “falta de ar” pela população em geral e por dispneia pelos médicos, pode ter várias causas.
Traduz uma alteração da captação e/ou distribuição do oxigénio, originando uma situação em que este gás é insuficiente para as necessidades do momento.
Manifesta-se principalmente por:
        •  Dispneia
        •  Cianose
A Asma
É um aumento da resposta das vias aéreas que se manifesta por obstrução variável.
A diminuição do diâmetro dos brônquios altera o volume de ar que normalmente entra e sai dos pulmões e a ventilação torna-se ruidosa especialmente durante a expiração devido ao esforço aumentado para expulsar o ar do interior dos pulmões.


Sinais e Sintomas
Dispneia, pieira, aumento da frequência ventilatória, cianose, ansiedade, ingurgitamento jugular, tosse, dificuldade em completar as frases.

Actuação:
Manter uma atitude calma e segura e remover a vítima do local em que se encontra, na tentativa de eliminar o factor desencadeante da crise. Posicionar a vítima de forma confortável e de modo a facilitar a ventilação de preferência sentado ou semi-sentado.
 Avaliar e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.

Doença pulmonar obstrutiva crónica (D.P.O.C.)
 A D.P.O.C. é uma obstrução constante à passagem do ar devido a uma inflamação permanente dos brônquios. Só se torna uma emergência médica quando surge uma agudização do quadro clínico.

Sinais e sintomas
Dispneia, cianose acentuada, tosse persistente, expectoração, agitação e ansiedade, alterações do estado de consciência, respiração ruidosa nos casos mais graves.

Actuação
Manter uma atitude calma e segura, incentivar a respirar com calma.
No caso que o doente faça oxigénio no domicílio manter o mesmo débito (normalmente baixos débitos).
 A vítima deve ser posicionar de forma confortável e de modo a facilitar a ventilação preferencialmente sentada ou semi-sentada.
 Avaliar e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.



12 – Dor torácica de origem cardíaca

Representa uma situação em que o miocárdio não está a receber a quantidade de oxigénio suficiente para as suas necessidades do momento.
Normalmente esta situação deve-se ao aumento das necessidades de oxigénio devido ao aumento do consumo ou uma emoção forte ou então à diminuição do aporte de sangue ao miocárdio (músculo cardíaco) normalmente provocada pela aterosclerose.
A aterosclerose é o depósito de gorduras nas paredes das artérias, que com o passar do tempo leva a formação de uma placa que dificulta a passagem do sangue podendo levar a um entupimento no local. Esta obstrução leva a diminuição do fluxo de sangue para os orgãos com graves consequências para o coração e o cérebro.

Consequências da Aterosclerose
No coração pode provocar angina de peito por dor no peito por falta de sangue e oxigênio ou então enfarte por morte de um pedaço do músculo do coração,por interrupção da circulação e oxigenação no local.
No cérebro pode provocar acidente vascular cerebral (AVC)  por morte de parte do tecido do cérebro por falta completa de circulação e oxigenação no local.

Angina de Peito
A angina de peito tem origem no processo de aterosclerose das coronárias.
Sempre que aumentam as necessidades de oxigénio pelo miocárdio surge um quadro de dor.

Os sinais e sintomas mais frequentes são:
Dor no peito (intensidade moderada), de localização retro-esternal, tipo um aperto no peito, com irradiação mais habitual para o ombro, mandíbula e braço esquerdo, sem alteração de intensidade (duração 2 a 4 minutos). Pode também aparecer parestesias (sensação de formigueiro nos braços).

Actuação:
Manter uma atitude calma e segura, manter um ambiente calmo e evitar que a vítima faça esforços, posiciona-la de forma mais confortável, manter a temperatura corporal e não dar nada a beber.
Avaliar e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.

Enfarte Agudo do Miocárdio
No Enfarte Agudo do Miocárdio existe já morte das células normalmente esta situação deve-se a uma obstrução total ou quase total da coronária, artéria que irriga o miocárdio (músculo cardíaco).

                            

 

Necrose
 




Sinais e Sintomas:
Dor no peito semelhante à da Angina de Peito mas mais intensa. É a “A pior dor de sempre.Tem uma duração prolongada, muitas vezes só aliviando com a instituição de tratamento médico. Muitas vezes acompanhada por dispneia. Medo e apreensão. Podem, por vezes, também ocorrer náuseas e vómitos. O pulso fica rápido e fraco e a pele fica pálida, húmida e viscosa.
Actuação: Contactar rapidamente 112 mantendo uma atitude calma e segura. Manter um ambiente calmo e evitar que a vítima faça esforços. Posicionar a vítima de forma confortável, manter a temperatura corporal e não dar nada a beber. Avaliar e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.

13 – Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Situação de início brusco ou progressivo que corresponde ao aparecimento de sintomas neurológicos causados pela interrupção de circulação sanguínea no cérebro, com o consequente défice de oxigenação das células cerebrais.
A vítima fica privada temporariamente ou definitivamente das suas capacidades.
É o cérebro que controla a memória, a fala, os movimentos, o equilíbrio interno do organismo, entre muitas outras tarefas.

Sinais e sintomas:
Dor de cabeça (cefaleias), alteração do estado de consciência com desorientação e/ou agitação que pode evoluir para a inconsciência. Disartria (dificuldade na articulação das palavras. Hemiparésia (falta de força). Desvio da comissura labial, alteração do estado e reactividade das pupilas, parestesias (formigueiro), incontinência de esfíncteres, náuseas e vómitos, convulsões e hipertermia.
                     

Actuação:
Estes indivíduos podem rapidamente evoluir para Paragem Cardiorespiratória por isso necessitam de constante observação.
Manter uma atitude calma e segura, acalmar a vítima, executar o exame da vítima na sua totalidade, avaliar e registar os sinais vitais e não dar nada a beber ou comer.


14 – Intoxicações

O contacto com tóxicos constitui uma realidade que se generaliza nos lares e campos, cidades, indústrias, etc.
 Cuidado com a utilização e com as medidas de protecção individual que nunca devem ser descuradas pois podem acarretar para a nossa saúde problemas muito graves.
Para dar resposta a este problema surgiu em Portugal o Centro de Informação Antivenenos (C.I.A.V.) cujo número de telefone é o 800 250 143.
As vias de contacto podem ser variadas: via digestiva respiratória, cutânea, ocular, parentérica ou por injecção, picada de animal ou via rectal e vaginal.
O tóxico actua por contacto directo, quando é absorvido ou então na fase de eliminação.

Actuação:
Deve ser realizada a colheita de dados. Saber qual foi o tóxico, caracterizar o intoxicado e saber em que condições ocorreu a intoxicação.
Exame do intoxicado passa por avaliar os sinais vitais, pesquisa de lesões e sintomas

Por via inalatória: Remover a vítima do ambiente contaminado, retirar roupas e manter temperatura corporal.
Por via cutânea: Retirar roupas, lavar abundantemente com água e sabão, manter temperatura corporal e não aplicar produtos químicos.

Por via ocular: Lavar abundantemente com soro fisiológico ou água. A lavagem deve ser feita do canto interno para o canto externo do olho, mantendo as pálpebras afastadas. Manter a lavagem durante pelo menos 15 minutos

Por via parentérica: Imobilizar o intoxicado. É Muito frequente a intoxicação por opiáceos. Deve-se despistar pela observação e recolha de informação. Dar especial atenção a possíveis alterações do estado de consciência e diminuição da frequência respiratória. As pupilas podem estar contraídas. Estas vítimas dever ser estimular das vigorosamente.

Por picada de animal: Colocar em repouso absoluto, desinfectar o local, imobilizar a vítima. Nunca fazer incisão, sucção ou colocação de garrotes.

      

Por via digestiva: É a via mais comum nas intoxicações. A actuação baseia-se no esvaziamento gástrico, por indução do vómito por indicação do C.I.A.V.

                            

15 – Alterações da glicemia
O açúcar é essencial para que as células produzam energia. Para que o açúcar possa ser utilizado a nível celular tem primeiro que ser digerido. Na digestão do açúcar é essencial a presença de insulina, produzida pelo pâncreas.
Quando a produção de insulina é afectada, o açúcar não é digerido circulando livremente no sangue embora não possa ser utilizado pelas células.
Este quadro clínico denomina-se Diabetes Mellitus
Diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada por um aumento anormal da glicose ou açúcar no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo mas quando em excesso, pode trazer várias complicações à saúde.
O corpo alimenta-se principalmente de duas substâncias: o açucar e o oxigénio. O açúcar (glicose) e o oxigénio são transportados pelo sangue e distribuídos por todos os órgãos e células do corpo e as células transformam o açúcar e o oxigénio em energia.
Para que o açúcar passe do sangue para dentro da célula é necessário a presença de insulina. Esta é uma substância produzida pelo organismo, num órgão chamado pâncreas.
A quantidade de insulina produzida vai depender da quantidade de açúcar que se come. Quanto mais açúcar comemos  mais o pâncreas tem que trabalhar, daí que com o passar dos anos e dos sucessivos erros de alimentação ele cança-se e começa a diminuir a produção de insulina, podendo mesmo sessar a produção.
A Diabetes Mellitus classifica-se em dois tipos:
    •  Diabetes Mellitus Tipo I ou insulino-dependente ou insulinotratado
    •  Diabetes Mellitus Tipo II ou não Iisulino-dependente
Ao nível de açúcar no sangue dá-se o nome de Glicemia. Ao aumento da quantidade de açúcar no sangue dá-se o nome de Hiperglicemia e à diminuição acentuada da quantidade de açúcar no sangue dá-se o nome de Hipoglicemia.
A hiperglicemia resulta habitualmente da insuficiente quantidade de insulina. A sua instalação é lenta e progressiva. Estamos perante uma hiperglicemia sempre que o valor de açúcar no sangue é superior 200 mg/dl. Normalmente, este quadro clínico deve-se ao incumprimento da terapêutica anti-diabética ou ao aumento da ingestão de alimentos açucarados quando estamos perante um doente diabético.

Sinais e sintomas: Náuseas e vómitos, fraqueza muscular e tonturas, pele avermelhada e seca, sensação de sede, hálito cetónico, aumento da frequência ventilatória, sonolência, confusão mental, desorientação, e em casos mais graves a inconsciência - Coma Hiperglicémico.
Actuação: Manter uma atitude calma e segura, avaliar e registar sinais vitais, recolher o máximo de informação, manter vigilância dos sinais vitais e evolução do estado de consciência.

A Hipoglicemia resulta da baixa acentuada de açúcar no sangue. A sua evolução é normalmente rápida e súbita. Estamos perante uma hipoglicemia se o valor da glicemia é inferior a 50 mg/dl. Este quadro clínico ocorre quando existe jejum prolongado ou os alimentos não são digeridos. Também quando existe um incumprimento da terapêutica/dieta ou é exigido um maior consumo de açúcar.
Esta situação é mais frequente nos doentes diabéticos mas pode acontecer a qualquer indivíduo.
Sinais e sintomas: ansiedade, irritabilidade ou agitação, fraqueza muscular, sensação de fome, pulso rápido e fraco, pele pálida, húmida e viscosa, tonturas, náuseas e dor abdominal, tremores e convulsões, desorientação, confusão mental e em situações mais graves, inconsciência - Coma hipoglicémico.

Actuação: Manter uma atitude calma e segura. Se o valor da glicemia capilar for inferior a 50 mg/dl e a vítima estiver consciente dar água açucarada.





Se a vítima estives inconsciente fazer uma papa de açúcar e colocá-la por dentro das bochechas.







16 – Epilepsia (convulsões)
As convulsões são contracção involuntária de alguns grupos musculares ocasionada por um aumento da actividade eléctrica numa determinada região cerebral. Na epilepsia existem perturbação a nível cerebral que origina crises que tendem a repetir-se. Estas crises habitualmente são acompanhadas de alteração ou perda de consciência.
Existem fundamentalmente dois tipos de crises epilépticas:
    •  Não Convulsivas ou Crises de Pequeno Mal, que se caracterizam por ausências breves.
    •  Convulsivas ou Crises de Grande Mal, que se caracterizam pela contracção involuntária e descoordenada de grupos musculares.

A sintomatologia é mais exuberante nas crises convulsivas ou de grande mal.
Muitas vítimas sentem a aura, isto é, um pré-aviso antes do início da crise que se caracteriza por, cefaleias, náuseas, ranger de dentes, entre outras.
No entanto a aura é uma característica individual no epiléptico pelo que não pode ser considerado um sinal ou sintoma tem normalmente a sequência de um grito violento, um rodar dos olhos para cima seguida de perda de consciência a que se segue uma queda violenta.

Sinais e sintomas: Cianose labial e das extremidades, os dentes cerram-se chegando a haver mordedura da língua, descontrole de esfíncteres, contracções musculares involuntárias.
As crises duram cerca de 2 a 4 minutos após o que a vítima pode ficar inconsciente - Estado Pós-crítico. A recuperação da consciência pode eventualmente ser acompanhada de agitação, agressividade, confusão mental, entre outras.

Actuação: Manter uma atitude calma e segura. Evitar traumatismos associados desviando objectos para proteger extremidades e o crânio da vítima. Nunca tentar contrariar as contracções, desapertar roupas justas, manter a via aérea permeável, registar a duração, tempo de intervalo, zona atingida e características das crises convulsivas.
Após a crise convulsiva colocar a cabeça da vítima de lado e limpar secreções, se necessário
Despistar a hipertermia, avaliar e registar sinais vitais, recolher o máximo de informação, actuar em conformidade com os traumatismos associados e manter vigilância apertada enquanto aguarda pelo socorro diferenciado.





17 – Traumatismos crânio-encefálicos(TCE) e vertebro-medulares(TVM)
O trauma acontece quando o corpo é forçado a receber subitamente uma energia como energia em movimento, energia eléctrica ou térmica.
O trauma mais frequente ocorre quando o corpo absorve uma determinada energia cinética.
 Os tecidos moles como a pele podem romper ou deformar, enquanto tecidos firmes como os ossos tem maior resistência a pequenas forças. Mas se a energia for demasiada os ossos partem/fracturam.

Traumatismos Crânio-Encefálicos
Lesões visíveis: Feridas, edema, hematoma ou equimose, hemorragia, deformação.

Sinais e sintomas: Deterioração do estado mental, irritabilidade, desorientação no tempo e no espaço, sonolência, náuseas e vómitos, deformações do crânio/feridas, perda de sangue ou Liquido Cefalo-Raquidiano (L.C.R), hematomas peri-orbitais, alteração pupilar, alteração das funções vitais, alteração da mobilidade e sensibilidade, incontinência de esfíncteres, convulsão e inconsciência
Actuação: Ter em atenção ao possível vómito e à acumulação se sangue na orofaringe. Pesquisar a existência de ferimentos ou dentes partidos, próteses, etc., expor as lesões, pesquisar a saída de LCR, avaliar estado dos membros.
Nota: Só mexer na vítima se existir compromisso da via aérea ou em caso de necessidade de iniciar manobras de suporte básico de vida.


Traumatismos Vértebro-Medulares
Deve suspeitar-se de TVM sempre em situações de acidentes de viação, acidentes de mergulho, quedas, traumatismos acima das clavículas, TCE, soterramento, electrocussão, ferimentos por arma branca ou de fogo e traumatismo directo da coluna.

Sinais e sintomas: Dificuldade respiratória, alteração da temperatura corporal, bradicardia, hipotensão, alteração da mobilidade e da sensibilidade, parastesias, incontinência dos esfíncteres, dor local.


Actuação: Alinhamento da região cervical, aplicação do colar cervical, avaliação dos parâmetros vitais, manter a temperatura corporal, levantamento da vítima como um todo

18 – Lesões dos tecidos moles
As lesões dos tecidos moles podem ser fechadas ou abertas. As lesões fechadas dividem-se em equimoses e hematomas dependendo do calibre do vaso rompido. Equimose equivale a ruptura de vasos de pequeno calibre e hematomas a vasos de maior calibre.

Actuação: Aplicação de frio e imobilização da zona afectada.

As lesões abertas existem sempre que aconteça o rompimento da pele.

As feridas podem ser escoriação quando só é lesionada a superfície da pele originado arranhões com pequena hemorragia.




Podem ser feridas mais profundas como feridas incisas, lacerantes e avulsivas.





Se forem provocadas por objectos que penetrem o corpo da vítima são chamadas de penetrantes/ perfurantes. Deve-se imobilizar o objecto.



Quando se dá o corte completo de membros ou dedos dá-se o nome de amputação.
No caso de amputação o segmento amputado deve ser protegido com um pano e colocado gelo em volta.


Quando é cortada a parede do abdómen e existe saída das vísceras dá-se o nome de evisceração.
Nunca tentar colocar as vísceras para dentro. Deve-se tapar com uma compressa esterilizada e humedece-la.

Actuação nas feridas: Controlo de hemorragias, limpeza da lesão, penso, imobilização de objectos, não colocar as vísceras para dentro.


19 – Queimaduras
Queimadura é uma lesão produzida sobre a pele, pelo fogo, por vapor, por substância corrosiva, pelo sol ou por electricidade.
Classificação quanto à profundidade
- 1º grau (cor avermelhada da pele);
- 2º grau (se houver bolhas);
- 3º grau (queimadura profunda que não causa dor porque as terminações nervosas foram destruídas; a pele fica geralmente branca, castanha ou negra).



As queimaduras da face são consideradas graves devido ao risco de asfixia por edema das estruturas da orofaringe. Deve observar-se o estado mucosas (lábios, língua) e das fossas nasais e verificar a existência de dificuldade respiratória.



Nas Queimaduras eléctricas deve ter-se a noção de que a corrente eléctrica que parra pelo nosso corpo pode provocar muitos danos para além da queimadura. A vítima pode apresentar lesões na zona de contacto (porta de entrada), lesões no percurso da passagem da corrente e lesões no local de saída da corrente.
Durante a passagem da corrente pelo organismo podem ocorrer espasmos musculares violentos que podem causar paragem ventilatória e fracturas. A nível do coração pode haver alterações do ritmo cardíaco que pode levar a arritmias graves e paragem cardio-respiratória.

Actuação em geral: Manter as vias aéreas permeáveis, aplicar pensos esterilizados, cobrir com lençóis esterilizados, humedecer as compressas ou lençóis. Se existirem roupas coladas não as arrancar e cortar em volta o que está solto deixando o que está agarrado.
Se a queimadura for em braços ou pernas mergulhar o membro em água fria. Em queimaduras químicas lavar abundantemente e retirar as roupas.
Nas zonas de contacto como os dedos, as axilas e as virilhas colocar compressas a separa-las.


20 – Fracturas
Uma fractura é toda e qualquer alteração da solução da continuidade de um osso. As fracturas classificam-se como abertas quando existe exposição dos topos ósseos e fechadas quando a pele encontra-se intacta.









Sinais e sintomas: Dor, impotência funcional, deformação, crepitação, edema, equimoses/hematoma e exposição dos topos ósseos.

Actuação: Controlar hemorragias se existirem por compressão indirecta, limpar as feridas existentes, imobilizar a articulação abaixo e acima do foco de fractura.



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