Ficam aqui mais algumas noçoes para além daquelas que eu referi na minha mini Formaçao de Socorrismo.
1
– ENQUADRAMENTO DO CURSO
Acidentes
acontecem a todo o instante, por conseguinte, estamos expostos continuamente a
inúmeras situações de perigo que poderiam ser evitadas ou pelo menos
minimizadas se, no momento do acidente, a primeira pessoa a ter contacto com a
vítima possuísse alguns conhecimentos de primeiros socorros. Muitas vezes, esse
socorro torna-se decisivo para o futuro e a sobrevivência da vítima.
É
fundamental saber que, em situações de emergência, se deve manter a calma.Além
disso, é importante que o socorrista se certifique que existem condições de
segurança para a prestação do socorro e que um socorro mal executado pode
comprometer ainda mais a saúde da vítima.
Enquanto
chega a ajuda diferenciada, a sua correcta actuação pode contribuir, em muito, para
salvar a vida dessa vítima.
1 – Sistema Integrado de
Emergência Médica
O
Sistema Integrado de Emergência Médica define-se como o conjunto de meios e
acções extra-hospitalares, hospitalares e inter-hospitalares, com a intervenção
activa dos vários componentes de uma comunidade - portanto pluridisciplinar -
programados de modo a possibilitar uma intervenção rápida, eficaz e com
economia de meios, em situações de doença súbita, acidentes e catástrofes, nas
quais a demora de medidas adequadas, diagnóstico e terapêutica, podem acarretar
graves riscos ou prejuízo ao doente (INEM, 2010).
Nas
situações de doença súbita e acidente, os cuidados imediatos podem ser
garantidos por qualquer pessoa com formação em Socorrismo. A vítima, para além
do 1° socorro, necessita que alguém accione uma ambulância, com tripulação
habilitada, a efectuar acções complementares às medidas iniciais de socorro,
garantindo o transporte para uma unidade hospitalar. Esta equipa deve promover
as acções adequadas e necessárias ao diagnóstico, terapêutica e tratamento
definitivo do doente, sem os quais este pode sofrer grande risco ou prejuízo.
1. Detecção/Protecção -
Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais
vítimas de doença súbita ou acidente e desenvolve acções para evitar que uma
situação de emergência se agrave.
2. Alerta - É
a fase em que se contactam os meios de socorro, utilizando normalmente o Número
Nacional de Socorro (112) ou os avisadores de estrada.
3. Pré-socorro -
São um conjunto de gestos simples que podem ser efectuados até a chegada do
socorro.
4. Socorro -
corresponde ao tratamento inicial efectuado às vítimas de doença súbita ou
acidente, com o objectivo de salvar a vida, diminuir a incapacidade e
diminuir o sofrimento.
5. Transporte - O
transporte de emergência realiza-se desde o local da ocorrência até a entrada
no serviço de saúde adequado, garantindo à vítima durante o transporte, o
socorro adequado.
6. Transferência
e Tratamento Definitivo – Tratamento na unidade de saúde mais
adequada à situação.
Do
ponto de vista funcional a necessidade de existir um SIEM operacional tem os
seguintes objectivos estratégicos:
a. Chegada
rápida ao local da ocorrência;
b. Estabilização
da vítima ou doente no próprio local;
c. Transporte
adequado do sinistrado ou doente;
d. Tratamento
adequado a nível hospitalar, estando prevista a possibilidade de transferência
para um hospital mais diferenciado que garanta os cuidados definitivos.
O
SIEM conta com todos os seus intervenientes, em maior ou menor escala, mas todos
com responsabilidade no seu eficaz funcionamento. São eles:
·
Público
em geral;
·
Agentes da PSP/GNR;
·
Bombeiros;
·
Cruz Vermelha Portuguesa;
·
Tripulantes de ambulância;
·
Operadores das centrais de emergência;
·
Médicos e enfermeiros, quer em trabalho
pré-hospitalar quer hospitalar;
·
Pessoal técnico e auxiliares de acção médica
dos hospitais;
·
Pessoal técnico na área das telecomunicações
e informática;
·
Para além destes intervenientes humanos, há a
considerar os meios de telecomunicação (ex.: rádios, computadores), os materiais
de socorro (ex.: material de reanimação) e os meios de transporte
(ex.: ambulâncias, viaturas de intervenção).
2 – Socorrismo
Ter formação em Primeiros Socorros é
saber aplicar um conjunto de conhecimentos que permitam, perante uma situação
de acidente ou doença súbita, estabelecer prioridades e desenvolver acções
adequadas com o fim de estabilizar ou, se possível, melhorar a situação da(s)
vítima(s).
Deve
efectuar a chamada para o 112 e pedir ajuda adequada à situação e informar calmamente o número de contacto, o
local exacto com pontos de referência, o número aproximado de vítimas e o seu
estado, e o que já foi feito. Só desligar a chamada após indicação do CODU.
§ Acidente é
um acontecimento repentino e imprevisto, tem efeitos limitados no tempo e no
espaço e é susceptível de atingir pessoas, bens e ambiente.
§ Doença
Súbita é a alteração involuntária do estado de saúde, causada
por uma condição médica pré-existente e nunca por acidente, que exija a prestação
de primeiros socorros e tratamento de urgência em Hospital.
3 – Exame à Vítima
Antes
de fazer o que quer que seja, o Socorrista deverá inteirar-se da situação
ocorrida e fazer uma hipótese de diagnóstico do estado da vítima. Para tal,
deve proceder ao chamado Exame Geral da Vítima. Este serve para: identificar e
corrigir situações que coloquem a vítima em perigo imediato de vida;
identificar e corrigir situações que não representando perigo de vida podem
agravar a situação geral se não forem corrigidas; e avaliar e registar os
Sinais Vitais.
O
exame geral divide-se em duas partes:
- Exame
Primário
- Exame
secundário
No
exame primário é fundamental:
§ Garantir
as condições de segurança da vítima e da equipa de socorro.
§ Não
avançar no exame da vítima sem ter corrigido a situação anteriormente
identificada.
§ Que
qualquer actuação incorrecta pode significar sequelas permanentes ou mesmo a
morte.
§ Iniciar
o exame primário com a verificação do estado de consciência: perguntando se “está
a ouvir” e abanando levemente a vítima ao nível dos ombros.
§ Um
doente inconsciente corre perigo de vida pois pode facilmente ficar com a via
aérea obstruída, devido à queda da própria língua ou pelo acumular de
secreções, vómito, sangue ou mesmo por existirem corpos estranhos.
Os
5 passos do exame primário são:
ü Ao
abordar a vítima de trauma deverá ser imediatamente estabilizada a
coluna cervical, que nunca deve ser abandonada.
ü Abrir
a boca pesquisando sinais de obstrução, remover próteses, comida e objectos se
existirem.
ü Permeabilizar
as vias aéreas.
B
-
BREATHING (Ventilação e Respiração)
§ Durante
10 segundos:
ü Ver –
movimentos do tórax e abdómen;
ü Ouvir –
ar a entrar e sair das vias aéreas;
ü Sentir -
ar expirado da vítima.
ü Controlar
imediatamente Hemorragias Externas Graves;
ü Pesquisa
de Sinais e Sintomas de choque;
ü Vigilância
Apertada.
4 – Posição Lateral de
Segurança (PLS)
As
vítimas inconscientes apresentam na sua maioria uma situação de obstrução da
via aérea, devido ao relaxamento dos músculos da mandíbula e da língua, assim,
a tomada de medidas que visem permitir, que o fluxo de ar passe normalmente,
deverá ser feita de imediato.
1 – Posicionar o membro
superior do lado em que o socorrista se encontra na posição de flexão alinhado
com a cabeça da vítima.
2 – Colocar o dorso da mão da
vítima do lado oposto encostada à face, devendo o socorrista segura-la nesta
posição.
3 –
Mantendo o dorso da mão da vítima encostado à sua face, flectir o membro
inferior do lado oposto em que o socorrista se encontra.
4 – Manter fixas ambas as
mãos (uma no ombro e outra na anca) e rodar a vítima para o lado em que o
socorrista se encontra.
6 – Flectir o membro inferior
para que o corpo da vítima se mantenha lateralizada.
5 – Avaliação de sinais vitais
São
os principais indicadores das funções vitais a ventilação, o pulso, a pressão
arterial e a temperatura.
Para
se caracterizar a ventilação é
necessário proceder à observação da vítima e contabilizar o número de ciclos
ventilatórios ( conjunto de uma inspiração e uma expiração) durante um minuto
(frequência), observar a expansão torácica(normal, superficial ou profunda) e o ritmo ( regular ou irregular).
Os
valores considerados normais para um adulto em repouso são: 12 a 20 ciclos por
minuto.
A
avaliação do pulso é efectuada
através da palpação da artéria carótida ou artéria radial.
Os
valores considerados normais para um adulto em repouso são: 60 a 100 batimentos
por minuto.
Para
a avaliação da temperatura o
socorrista serve de referência, bastando encostar as costas da mão à testa ou
ao corpo da vítima. A vítima pode estar com a temperatura muito baixa
(hipotermia), normal ou muito alta (hipertermia). Na pele pode também
observar-se a humidade e a coloração.
6 – Disfunção neurológica e
exposição
D - DESABILITY
(Disfunção Neurológica)
ü Estado
de Consciência:
§ A –
Alerta
§ V -
Responde a Estímulos Verbais
- P - Responde a
Estímulos Dolorosos
- U - Sem Resposta
ü Lateralização da Resposta Motora
ü
Pupilas
Pupilas
|
Contraídas
|
|
Assimétricas
|
|
Dilatadas
|
E - EXPOSE
(Exposição com controle da temperatura)
Nunca
despir, mas sim cortar as roupas se necessário, manter o respeito pela
privacidade e decoro (compostura), e manter a temperatura corporal.
A
observação do doente é efectuada através da observação sistematizada da cabeça
e face, pescoço, ombro e clavícula, tórax e abdómen, coluna dorsal e lombar, pélvis,
membros Inferiores e membros superiores.
Deve
verificar através da palpação e observação: feridas, fracturas, outros
traumatismos; reacção a estímulos, capacidade de movimento; pontos de
deformação e/ou dor.
7 – Suporte Básico de Vida
O
Suporte Básico de Vida define-se como o conjunto de medidas utilizadas para restabelecer
a vida de uma vítima em paragem cardiorrespiratória, a iniciar de imediato sem
recurso a qualquer equipamento excepto o de protecção individual. O objectivo é
recuperar vítimas de paragem cardiorrespiratória
.
A
Cadeia de Sobrevivência é composta por quatro elos, ou acções, em que o funcionamento
adequado de cada elo e a articulação eficaz ente os vários elos é vital para
que o resultado final seja uma vida salva.
Acesso
precoce ao sistema
Início precoce de Suporte
Básico de Vida
Desfibrilhação precoce
Suporte Avançado de Vida precoce
Numa
situação de PCR o socorrista deve obter uma
impressão geral do cenário e avaliar as condições de segurança e avaliar o
estado de consciência da vítima, chamando-a e abanando-a suavemente nos ombros.
A – Via Aérea
§ Avaliar Permeabilidade das vias aéreas e remover a causa da
obstrução.
§ Efectuar a extensão da cabeça.
B – Ventilação
§ Desapertar roupa e expor o tórax.
§ Verificar se respira – Ver, Ouvir e Sentir (VOS) – durante 10
segundos.
- Se Respirar colocar em PLS.
- Se não respirar está identificada a PCR.
- Pedir ajuda diferenciada (ligar 112): se estiver
sozinho vá; se estiver acompanhado peça para ir.
C – Circulação
§ Inicie 30 compressões no centro do tórax, alternando com 2
insuflações ( cada insuflação) com duração de 1 segundo.
§ Manter SBV até: chegar ajuda diferenciada; a vítima inicie
respiração normal; ou o reanimador ficar exausto.
|
2
|
|
30
|
8 – Obstrução da Via Aérea
O que é?
Dificuldade
respiratória, ou impossibilidade de respirar causada por obstrução das vias
aéreas, geralmente por corpo estranho.
A
obstrução pode ser parcial ou total.
Na obstrução parcial
deve-se:
Estimular
a tosse até resolver a obstrução.
Na obstrução total em vítimas
conscientes, com mais de um ano de idade:
Deve-se
iniciar por cinco pancadas interescapulares e se não resultar passar para cinco
compressões na linha média do abdómen entre o apêndice xifóide e a cicatriz
umbilical, de baixo para cima e da frente para trás. Ter em atenção que deve adequar
a força à idade e tamanho da vítima.
Em
vítimas obesas e grávidas substituir as compressões abdominais por compressões
torácicas.
Em vítimas inconscientes,
com mais de um ano de idade:
Iniciar
o socorro por verificar a cavidade oral, tentar ventilar 5 vezes e iniciar
manobras de SBV com o cuidado de verificar a cavidade oral no final de cada 30
compressões.
Em
crianças com menos de um ano de idade:
A
criança deve ser colocada de barriga para baixo sobre mão e antebraço de quem
executa a manobra, com a cabeça mais baixa que o tórax, se necessário até 5
pancadas nas costas, entre as omoplatas. Se não resolver, virar a criança de
barriga para cima e sobre a mão e antebraço de quem executa a manobra, com a
cabeça mais baixa que o tórax efectuar 5 compressões torácicas.
Remover
algum objecto se for visível.
9 – Hemorragias
Quanto
à localização as hemorragias podem ser internas (visíveis ou invisíveis) ou
externas e quanto à origem podem ser arteriais, venosas ou capilares.
Sinais e Sintomas:
Saída
evidente de sangue, ventilação rápida e superficial, e difícil, pulso rápido e
fino e hipotensão. Pele pálida e suada, por vezes cianosada, dor local ou
irradiante, sede, zumbidos e dificuldade de visão, pupilas progressivamente
dilatadas, ansiedade e agitação.
Estancar a hemorragia ou, se
isto não for possível, limitar ao máximo a saída de sangue através de:
o
Compressão manual directa:
ü Aplicar
sobre a ferida que sangra uma compressa esterilizada ou um penso improvisado,
comprimindo a zona com a mão.
ü Se o
penso repassar, nunca deve ser retirado, coloca-se outro por cima e faz-se
compressão manual mais forte.
o
Compressão manual indirecta:
ü Consiste
em comprimir o vaso sanguíneo (artéria) responsável pela irrigação da zona
ferida que sangra.
ü Umeral
– hemorragia membro superior.
ü Femoral
– hemorragia membro inferior.
o
Garrote
ü Utilizado
em último recurso.
ü Só
quando os outros métodos falham.
ü Método
mais utilizado em situações de amputação.
Outras medidas que pode
associar às anteriores:
Elevação
do membro, aplicação de frio (gelo), desapertar
roupas no pescoço, tórax e abdómen, animar e moralizar a vítima, se consciente
- posição confortável, se inconsciente – PLS, manter temperatura corporal, não
dar nada a beber, e promover transporte para hospital.
10 – Choque Hipovolémico
A
este acontecimento dá-se o nome de hipovolémia ou seja a diminuição de líquidos
circulantes no organismo que causa uma diminuição na capacidade fisiológica do
coração e uma insuficiente perfusão dos tecidos.
Este
processo leva a alterações do sistema nervoso central.
Sinais e sintomas:
Alterações
do estado de consciência, dificuldade respiratória, pulso rápido e fino, pressão
arterial baixa, pele pálida, suada, fria e pode aparecer cianose, náuseas e
vómitos, sede e secura das mucosas e alterações pupilares
Actuação:
Combater
a causa, manter as vias aéreas permeáveis. Posicionar a vítima se possível, a
posição ideal será com elevação dos membros inferiores a cerca de 30º. Manter a
temperatura corporal e não dar nada a beber.
Avaliar
e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.
11 – Dificuldade
respiratória
A
dificuldade respiratória, normalmente definida como “falta de ar” pela
população em geral e por dispneia pelos médicos, pode ter várias causas.
Traduz
uma alteração da captação e/ou distribuição do oxigénio, originando uma
situação em que este gás é insuficiente para as necessidades do momento.
Manifesta-se
principalmente por:
- Dispneia
- Cianose
A Asma
É
um aumento da resposta das vias aéreas que se manifesta por obstrução variável.
A
diminuição do diâmetro dos brônquios altera o volume de ar que normalmente
entra e sai dos pulmões e a ventilação torna-se ruidosa especialmente durante a
expiração devido ao esforço aumentado para expulsar o ar do interior dos
pulmões.
Sinais e Sintomas
Dispneia,
pieira, aumento da frequência ventilatória, cianose, ansiedade, ingurgitamento
jugular, tosse, dificuldade em completar as frases.
Actuação:
Manter
uma atitude calma e segura e remover a vítima do local em que se encontra, na
tentativa de eliminar o factor desencadeante da crise. Posicionar a vítima de
forma confortável e de modo a facilitar a ventilação de preferência sentado ou
semi-sentado.
Avaliar e registar os sinais vitais e recolher
o máximo de informação.
Doença
pulmonar obstrutiva crónica (D.P.O.C.)
A D.P.O.C. é uma obstrução constante à
passagem do ar devido a uma inflamação permanente dos brônquios. Só se torna
uma emergência médica quando surge uma agudização do quadro clínico.
Sinais e sintomas
Dispneia,
cianose acentuada, tosse persistente, expectoração, agitação e ansiedade, alterações
do estado de consciência, respiração ruidosa nos casos mais graves.
Actuação
Manter
uma atitude calma e segura, incentivar a respirar com calma.
No
caso que o doente faça oxigénio no domicílio manter o mesmo débito (normalmente
baixos débitos).
A vítima deve ser posicionar de forma
confortável e de modo a facilitar a ventilação preferencialmente sentada ou
semi-sentada.
Avaliar e registar os sinais vitais e recolher
o máximo de informação.
12 – Dor torácica de origem cardíaca
Representa
uma situação em que o miocárdio não está a receber a quantidade de oxigénio
suficiente para as suas necessidades do momento.
A
aterosclerose é o depósito de
gorduras nas paredes das artérias, que com o passar do tempo leva a formação de
uma placa que dificulta a passagem do sangue podendo levar a um entupimento no
local. Esta obstrução leva a diminuição do fluxo de sangue para os orgãos com graves
consequências para o coração e o cérebro.
Consequências
da Aterosclerose
No coração pode provocar angina
de peito por dor no peito por falta de sangue e oxigênio ou então enfarte por morte
de um pedaço do músculo do coração,por interrupção da circulação e oxigenação
no local.
No cérebro pode provocar
acidente vascular cerebral (AVC) por morte de parte do tecido do
cérebro por falta completa de circulação e oxigenação no local.
Angina de Peito
A
angina de peito tem origem no processo de aterosclerose das coronárias.
Os sinais e sintomas mais frequentes
são:
Dor
no peito (intensidade moderada), de localização retro-esternal, tipo um aperto
no peito, com irradiação mais habitual para o ombro, mandíbula e braço
esquerdo, sem alteração de intensidade (duração 2 a 4 minutos). Pode também
aparecer parestesias (sensação de formigueiro nos braços).
Actuação:
Manter
uma atitude calma e segura, manter um ambiente calmo e evitar que a vítima faça
esforços, posiciona-la de forma mais confortável, manter a temperatura corporal
e não dar nada a beber.
Avaliar
e registar os sinais vitais e recolher o máximo de informação.
Enfarte
Agudo do Miocárdio
|
Necrose
|
Sinais
e Sintomas:
Dor no peito semelhante à da Angina de Peito mas mais
intensa. É a “A pior dor de sempre.Tem uma duração prolongada, muitas vezes só aliviando com a
instituição de tratamento médico.
Muitas vezes acompanhada por dispneia. Medo e apreensão. Podem, por vezes,
também ocorrer náuseas e vómitos. O pulso fica rápido e fraco e a pele fica
pálida, húmida e viscosa.
Actuação: Contactar
rapidamente 112 mantendo uma atitude calma e segura. Manter um ambiente calmo e
evitar que a vítima faça esforços. Posicionar a vítima de forma confortável,
manter a temperatura corporal e não dar nada a beber. Avaliar e registar os sinais vitais e recolher o máximo de
informação.
13 – Acidente Vascular
Cerebral (AVC)
Situação
de início brusco ou progressivo que corresponde ao aparecimento de sintomas
neurológicos causados pela interrupção de circulação sanguínea no cérebro, com
o consequente défice de oxigenação das células cerebrais.
A
vítima fica privada temporariamente ou definitivamente das suas capacidades.
É o
cérebro que controla a memória, a fala, os movimentos, o equilíbrio interno do
organismo, entre muitas outras tarefas.
Sinais e sintomas:
Dor
de cabeça (cefaleias), alteração do estado de consciência com desorientação
e/ou agitação que pode evoluir para a inconsciência. Disartria (dificuldade na
articulação das palavras. Hemiparésia (falta de força). Desvio da comissura
labial, alteração do estado e reactividade das pupilas, parestesias
(formigueiro), incontinência de esfíncteres, náuseas e vómitos, convulsões e
hipertermia.
Actuação:
Estes indivíduos podem rapidamente evoluir para
Paragem Cardiorespiratória por isso necessitam de constante observação.
Manter uma atitude calma e segura, acalmar a vítima,
executar o exame da vítima na sua totalidade, avaliar e registar os sinais
vitais e não dar nada a beber ou comer.
14 – Intoxicações
O contacto com tóxicos constitui uma realidade que
se generaliza nos lares e campos, cidades, indústrias, etc.
Para dar resposta a este problema surgiu em Portugal
o Centro de Informação Antivenenos (C.I.A.V.) cujo número de telefone é o 800
250 143.
As vias de contacto podem ser variadas: via
digestiva respiratória, cutânea, ocular, parentérica ou por injecção, picada de
animal ou via rectal e vaginal.
O tóxico actua por contacto directo, quando é
absorvido ou então na fase de eliminação.
Actuação:
Deve ser realizada a colheita de dados. Saber qual
foi o tóxico, caracterizar o intoxicado e saber em que condições ocorreu a
intoxicação.
Exame do intoxicado passa por avaliar os sinais
vitais, pesquisa de lesões e sintomas
Por
via inalatória: Remover
a vítima do ambiente contaminado, retirar roupas e manter temperatura corporal.
Por
via cutânea: Retirar roupas, lavar
abundantemente com água e sabão, manter temperatura corporal e não aplicar
produtos químicos.
Por
via ocular: Lavar
abundantemente com soro fisiológico ou água. A lavagem deve ser feita do canto
interno para o canto externo do olho, mantendo as pálpebras afastadas. Manter a
lavagem durante pelo menos 15 minutos
Por
via parentérica: Imobilizar o
intoxicado. É Muito frequente a intoxicação por opiáceos. Deve-se despistar
pela observação e recolha de informação. Dar especial atenção a possíveis
alterações do estado de consciência e diminuição da frequência respiratória. As
pupilas podem estar contraídas. Estas vítimas dever ser estimular das
vigorosamente.
Por picada de animal: Colocar em repouso absoluto, desinfectar o local, imobilizar
a vítima. Nunca fazer incisão, sucção ou colocação de garrotes.
Por
via digestiva: É a via mais comum
nas intoxicações. A actuação baseia-se no esvaziamento gástrico, por indução do
vómito por indicação do C.I.A.V.
15 – Alterações da glicemia
O açúcar é essencial para que as células produzam
energia. Para que o açúcar possa ser utilizado a nível celular tem primeiro que
ser digerido. Na digestão do açúcar é essencial a presença de insulina,
produzida pelo pâncreas.
Quando a produção de insulina é afectada, o açúcar
não é digerido circulando livremente no sangue embora não possa ser utilizado
pelas células.
Este quadro clínico denomina-se Diabetes Mellitus
Diabetes mellitus é uma doença metabólica
caracterizada por um aumento anormal da glicose ou açúcar no sangue. A glicose
é a principal fonte de energia do organismo mas quando em excesso, pode trazer
várias complicações à saúde.
O corpo alimenta-se
principalmente de duas substâncias: o açucar e o oxigénio. O açúcar (glicose) e
o oxigénio são transportados pelo sangue e distribuídos por todos os órgãos e
células do corpo e as células transformam o açúcar e o oxigénio em energia.
Para que o açúcar passe do sangue para dentro da
célula é necessário a presença de insulina. Esta é uma substância produzida
pelo organismo, num órgão chamado pâncreas.
A quantidade de insulina
produzida vai depender da quantidade de açúcar que se come. Quanto mais açúcar comemos mais o pâncreas tem que trabalhar, daí que
com o passar dos anos e dos sucessivos erros de alimentação ele cança-se e começa
a diminuir a produção de insulina, podendo mesmo sessar a produção.
A Diabetes Mellitus classifica-se em dois tipos:
- Diabetes Mellitus Tipo I ou insulino-dependente
ou insulinotratado
- Diabetes Mellitus Tipo II ou não Iisulino-dependente
Ao nível de açúcar no sangue dá-se o nome de
Glicemia. Ao aumento da quantidade de açúcar no sangue dá-se o nome de Hiperglicemia
e à diminuição acentuada da quantidade de açúcar no sangue dá-se o nome de Hipoglicemia.
A hiperglicemia resulta habitualmente da
insuficiente quantidade de insulina. A sua instalação é lenta e progressiva.
Estamos perante uma hiperglicemia sempre que o valor de açúcar no sangue é
superior 200 mg/dl. Normalmente, este quadro clínico deve-se ao incumprimento
da terapêutica anti-diabética ou ao aumento da ingestão de alimentos açucarados
quando estamos perante um doente diabético.
Sinais
e sintomas: Náuseas e vómitos,
fraqueza muscular e tonturas, pele avermelhada e seca, sensação de sede, hálito
cetónico, aumento da frequência ventilatória, sonolência, confusão mental, desorientação,
e em casos mais graves a inconsciência - Coma Hiperglicémico.
Actuação: Manter uma atitude calma e segura, avaliar e
registar sinais vitais, recolher o máximo de informação, manter vigilância dos
sinais vitais e evolução do estado de consciência.
A Hipoglicemia resulta da baixa acentuada de
açúcar no sangue. A sua evolução é normalmente rápida e súbita. Estamos perante
uma hipoglicemia se o valor da glicemia é inferior a 50 mg/dl. Este quadro
clínico ocorre quando existe jejum prolongado ou os alimentos não são
digeridos. Também quando existe um incumprimento da terapêutica/dieta ou é
exigido um maior consumo de açúcar.
Esta situação é mais frequente nos doentes
diabéticos mas pode acontecer a qualquer indivíduo.
Sinais
e sintomas: ansiedade,
irritabilidade ou agitação, fraqueza muscular, sensação de fome, pulso rápido e
fraco, pele pálida, húmida e viscosa, tonturas, náuseas e dor abdominal, tremores
e convulsões, desorientação, confusão mental e em situações mais graves, inconsciência
- Coma hipoglicémico.
Actuação:
Manter uma atitude calma e segura. Se o valor da glicemia
capilar for inferior a 50 mg/dl e a vítima estiver consciente dar água
açucarada.
Se a vítima estives inconsciente fazer uma
papa de açúcar e colocá-la por dentro das bochechas.
16 – Epilepsia (convulsões)
As convulsões são contracção involuntária de alguns
grupos musculares ocasionada por um aumento da actividade eléctrica numa
determinada região cerebral. Na epilepsia existem perturbação a nível cerebral
que origina crises que tendem a repetir-se. Estas crises habitualmente são
acompanhadas de alteração ou perda de consciência.
Existem fundamentalmente dois tipos de crises epilépticas:
- Não Convulsivas ou Crises de Pequeno
Mal, que se caracterizam por ausências breves.
- Convulsivas ou Crises de Grande Mal, que
se caracterizam pela contracção involuntária e descoordenada de grupos
musculares.
A
sintomatologia é mais exuberante nas crises convulsivas ou de grande mal.
Muitas vítimas sentem a aura, isto é, um pré-aviso
antes do início da crise que se caracteriza por, cefaleias, náuseas, ranger de
dentes, entre outras.
No entanto a aura é uma característica individual no
epiléptico pelo que não pode ser considerado um sinal ou sintoma tem
normalmente a sequência de um grito violento, um rodar dos olhos para cima
seguida de perda de consciência a que se segue uma queda violenta.
Sinais
e sintomas: Cianose labial e
das extremidades, os dentes cerram-se chegando a haver mordedura da língua, descontrole
de esfíncteres, contracções musculares involuntárias.
As crises duram cerca de 2 a 4 minutos após o que a
vítima pode ficar inconsciente - Estado Pós-crítico. A recuperação da
consciência pode eventualmente ser acompanhada de agitação, agressividade,
confusão mental, entre outras.
Actuação: Manter uma atitude calma e segura. Evitar
traumatismos associados desviando objectos para proteger extremidades e o crânio
da vítima. Nunca tentar contrariar as contracções, desapertar roupas justas, manter
a via aérea permeável, registar a duração, tempo de intervalo, zona atingida e
características das crises convulsivas.
Após a crise convulsiva colocar a cabeça da vítima
de lado e limpar secreções, se necessário
Despistar a hipertermia, avaliar e registar sinais
vitais, recolher o máximo de informação, actuar em conformidade com os
traumatismos associados e manter vigilância apertada enquanto aguarda pelo
socorro diferenciado.
17 – Traumatismos crânio-encefálicos(TCE)
e vertebro-medulares(TVM)
O trauma acontece quando o corpo é forçado a receber
subitamente uma energia como energia em movimento, energia eléctrica ou térmica.
O trauma mais frequente ocorre quando o corpo
absorve uma determinada energia cinética.
Os tecidos
moles como a pele podem romper ou deformar, enquanto tecidos firmes como os
ossos tem maior resistência a pequenas forças. Mas se a energia for demasiada
os ossos partem/fracturam.
Traumatismos
Crânio-Encefálicos
Lesões
visíveis: Feridas, edema, hematoma ou
equimose, hemorragia, deformação.
Sinais
e sintomas: Deterioração do
estado mental, irritabilidade, desorientação no tempo e no espaço, sonolência,
náuseas e vómitos, deformações do crânio/feridas, perda de sangue ou Liquido
Cefalo-Raquidiano (L.C.R), hematomas peri-orbitais, alteração pupilar, alteração
das funções vitais, alteração da mobilidade e sensibilidade, incontinência de
esfíncteres, convulsão e inconsciência
Actuação:
Ter em atenção ao possível vómito e à acumulação se
sangue na orofaringe. Pesquisar a existência de ferimentos ou dentes partidos,
próteses, etc., expor as lesões, pesquisar a saída de LCR, avaliar estado dos
membros.
Nota:
Só mexer na vítima se existir compromisso da via aérea ou em caso de
necessidade de iniciar manobras de suporte básico de vida.
Traumatismos
Vértebro-Medulares
Deve suspeitar-se de TVM sempre em situações de acidentes
de viação, acidentes de mergulho, quedas, traumatismos acima das clavículas, TCE,
soterramento, electrocussão, ferimentos por arma branca ou de fogo e traumatismo
directo da coluna.
Sinais
e sintomas: Dificuldade respiratória,
alteração da temperatura corporal, bradicardia, hipotensão, alteração da
mobilidade e da sensibilidade, parastesias, incontinência dos esfíncteres, dor
local.
Actuação:
Alinhamento da região cervical, aplicação do colar
cervical, avaliação dos parâmetros vitais, manter a temperatura corporal,
levantamento da vítima como um todo
18 – Lesões dos tecidos moles
As lesões dos tecidos moles podem ser fechadas ou
abertas. As lesões fechadas dividem-se em equimoses e hematomas dependendo do
calibre do vaso rompido. Equimose equivale a ruptura de vasos de pequeno
calibre e hematomas a vasos de maior calibre.
Actuação: Aplicação de frio e imobilização da zona afectada.
As feridas podem ser escoriação quando só é
lesionada a superfície da pele originado arranhões com pequena hemorragia.
Se forem provocadas por objectos que penetrem o
corpo da vítima são chamadas de penetrantes/ perfurantes. Deve-se imobilizar o
objecto.
Quando se dá o corte completo de membros ou dedos
dá-se o nome de amputação.
Quando é cortada a parede do abdómen e existe saída
das vísceras dá-se o nome de evisceração.
Nunca tentar colocar as vísceras para dentro.
Deve-se tapar com uma compressa esterilizada e humedece-la.
Actuação
nas feridas: Controlo de
hemorragias, limpeza da lesão, penso, imobilização de objectos, não colocar as
vísceras para dentro.
19 – Queimaduras
Queimadura
é uma lesão produzida sobre a pele, pelo fogo, por vapor, por substância
corrosiva, pelo sol ou por electricidade.
Classificação
quanto à profundidade
- 1º
grau (cor avermelhada da pele);
- 2º
grau (se houver bolhas);
- 3º
grau (queimadura profunda que não causa dor porque as terminações nervosas
foram destruídas; a pele fica geralmente branca, castanha ou negra).
As
queimaduras da face são consideradas graves devido ao risco de asfixia por
edema das estruturas da orofaringe. Deve observar-se o estado mucosas (lábios,
língua) e das fossas nasais e verificar a existência de dificuldade
respiratória.
Durante
a passagem da corrente pelo organismo podem ocorrer espasmos musculares
violentos que podem causar paragem ventilatória e fracturas. A nível do coração
pode haver alterações do ritmo cardíaco que pode levar a arritmias graves e
paragem cardio-respiratória.
Se a
queimadura for em braços ou pernas mergulhar o membro em água fria. Em
queimaduras químicas lavar abundantemente e retirar as roupas.
Nas
zonas de contacto como os dedos, as axilas e as virilhas colocar compressas a
separa-las.
20 – Fracturas
Uma
fractura é toda e qualquer alteração da solução da continuidade de um osso. As
fracturas classificam-se como abertas quando existe exposição dos topos ósseos
e fechadas quando a pele encontra-se intacta.
Sinais e sintomas: Dor,
impotência funcional, deformação, crepitação, edema, equimoses/hematoma e exposição
dos topos ósseos.
Actuação: Controlar
hemorragias se existirem por compressão indirecta, limpar as feridas existentes,
imobilizar a articulação abaixo e acima do foco de fractura.
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